A verdadeira causa da deriva continental
http://www.omelete.com.br/videos/era-do-gelo-4-scrats-continental-crack-/
"O sorriso que tenho nos lábios é um sorriso geológico - o sorriso de quem sabe, olha, vê e compreende."
Monteiro Lobato, pela boca do Visconde de Sabugosa, em O Poço do Visconde
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Reservas ambientais em São Paulo
| 4/2/2011 | Agência FAPESP (e-mail) |
Agência FAPESP – Geraldo Alckmin, o governador paulista, anunciou em 1º de fevereiro a oficialização de quatro novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), localizadas nos municípios de Bertioga, Amparo e São José dos Campos.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo, que já dispunha de 4,7 milhões de hectares de áreas protegidas, ganhará mais 1,39 mil hectares.
As RPPNs constituem uma categoria de unidade de conservação, prevista na legislação federal, que possibilita que propriedades privadas sejam transformadas em áreas de proteção ambiental.
Duas das quatro novas reservas estão localizadas no município de Bertioga: a Costa Blanca, da Barma Empreendimentos e Participações, com 296,93 hectares, e a Hércules Florence 1 e 2, da Companhia Fazenda Acaraú, com 709,57 hectares.
Já a RPPN Fazenda Boa Esperança, em Amparo, com 31,30 hectares, está sendo criada pela Aracaju Participações. Por sua vez, a reserva "O primata", em São José dos Campos, que está sendo criada por Walter Cerigatto Costa, será a maior reserva particular mantida por uma pessoa física em São Paulo.
O programa RPPN Paulistas, criado em 2006, já promoveu a criação de 17 novas reservas, totalizando 12.889,07 hectares de áreas particulares protegidas.
Anteriormente, entre 1992 a 2006, quando a criação de RPPNS era feita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o estado contava com 38 reservas, com área total de 3.859,83 hectares.
Com a criação das quatro novas áreas, São Paulo passa a contar com 59 RPPNs, com 18.130,63 hectares. As RPPNs são reconhecidas por meio de uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente.
“É importante o reconhecimento do governo dessas reservas privadas, que devem fazer parte do sistema estadual de áreas protegidas. Com essa parceria, queremos produzir um atlas com características dessas reservas. Isso é importante para a preservação da biodiversidade do estado de São Paulo”, disse Cláudio Maretti, superintendente de conservação da WWW-Brasil, que anunciou uma parceria entre a ONG e o Instituto Florestal durante o evento.
Mais informações:
www.ambiente.sp.gov.br/verNoticia.php?id=1095
Mais áreas protegidas
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13408/noticias/mais-areas-protegidas.htm
Tira-duvidas sobre RPPNs:
http://www.oeco.com.br/maria-tereza-jorge-padua/16303-oeco_23715
Decreto 1922/1996:
http://www.unisc.br/rppn/decreto_1922_1996.pdf
http://www.viaecologica.com/htms/leis/rppn.php
Agência FAPESP – Geraldo Alckmin, o governador paulista, anunciou em 1º de fevereiro a oficialização de quatro novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), localizadas nos municípios de Bertioga, Amparo e São José dos Campos.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo, que já dispunha de 4,7 milhões de hectares de áreas protegidas, ganhará mais 1,39 mil hectares.
As RPPNs constituem uma categoria de unidade de conservação, prevista na legislação federal, que possibilita que propriedades privadas sejam transformadas em áreas de proteção ambiental.
Duas das quatro novas reservas estão localizadas no município de Bertioga: a Costa Blanca, da Barma Empreendimentos e Participações, com 296,93 hectares, e a Hércules Florence 1 e 2, da Companhia Fazenda Acaraú, com 709,57 hectares.
Já a RPPN Fazenda Boa Esperança, em Amparo, com 31,30 hectares, está sendo criada pela Aracaju Participações. Por sua vez, a reserva "O primata", em São José dos Campos, que está sendo criada por Walter Cerigatto Costa, será a maior reserva particular mantida por uma pessoa física em São Paulo.
O programa RPPN Paulistas, criado em 2006, já promoveu a criação de 17 novas reservas, totalizando 12.889,07 hectares de áreas particulares protegidas.
Anteriormente, entre 1992 a 2006, quando a criação de RPPNS era feita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o estado contava com 38 reservas, com área total de 3.859,83 hectares.
Com a criação das quatro novas áreas, São Paulo passa a contar com 59 RPPNs, com 18.130,63 hectares. As RPPNs são reconhecidas por meio de uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente.
“É importante o reconhecimento do governo dessas reservas privadas, que devem fazer parte do sistema estadual de áreas protegidas. Com essa parceria, queremos produzir um atlas com características dessas reservas. Isso é importante para a preservação da biodiversidade do estado de São Paulo”, disse Cláudio Maretti, superintendente de conservação da WWW-Brasil, que anunciou uma parceria entre a ONG e o Instituto Florestal durante o evento.
Mais informações:
www.ambiente.sp.gov.br/verNoticia.php?id=1095
Mais áreas protegidas
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13408/noticias/mais-areas-protegidas.htm
Tira-duvidas sobre RPPNs:
http://www.oeco.com.br/maria-tereza-jorge-padua/16303-oeco_23715
Decreto 1922/1996:
http://www.unisc.br/rppn/decreto_1922_1996.pdf
http://www.viaecologica.com/htms/leis/rppn.php
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Redes de captação de águas pluviais. O grande vilão dos desastres de Nova Friburgo.
REDES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS PLUVIAIS. O GRANDE VILÃO DOS DESASTRES DE NOVA FRIBURGO.
| Mauro Zurita Fernandes | Geógrafo | IBAMA Nova Friburgo/RJ |
| Texto repassado para a lista FEBRAGEO-Brasil |
Vamos tentar ser bem diretos e simples em nossas contribuições.
As chuvas naturalmente são bem distribuídas nas superfícies em que se precipitam.
Quando essas chuvas caem sobre áreas florestadas há o amortecimento das gostas evitando a desagregação do solo pela força do seu impacto e, assim, a penetração da água no solo se dá de forma tênue e contínua, situação que permite melhor absorção evitando os escoamentos superficiais bem como a saturação das camadas inferiores e, também, os deslizamentos.
É interessante ter bem claro que a erosão dos solos é um processo natural, mas que as ações humanas podem acelerar esse processo.
Especialistas estimam que numa área coberta por vegetação nativa, há uma perda anual de aproximadamente 4 Kg de solo por ha. Já em uma área de pastagem (capim braquiária, por exemplo) essa perda aumenta para 700 Kg por ha. Já numa área com plantação de café, por exemplo, a perda chega a 1.100 kg por ha ao ano.
Entretanto as áreas urbanizadas, onde não há a perfeita rede de drenagem das águas pluviais, (telhados, lajes, acimentados, calçadas, asfaltos, etc...) acumulam essas águas e as despejam concentradas em pequenas áreas de solo, causando processos erosivos com maior intensidade.
Uma chuva forte, normal em tardes de verão, pode atingir em torno de 60mm durante uma hora. Isso significa dizer que pode chover 60 litros de água em um metro quadrado, em uma hora.
Agora imagine se esses mesmos 60mm de chuva caem sobre uma pequena casa (uma meia-água por exemplo) num telhado de 50m², que tem uma calha que concentra a água num determinado ponto do terreno...
Assim, 60 x 50 = 3.000mm ou seja, 3.000 litros de água de chuva que caem no telhado e que são despejados num determinado ponto de um terreno no período de uma hora.
Obviamente que, dando as devidas proporções numa área de ocupação com várias residências, essa quantidade de água sobre um pequeno espaço de solo não será absorvida, gerando assim os escoamentos superficiais e, consequentemente, processos erosivos, arrastando vegetação, pedras, terra, etc... E, além dos escoamentos superficiais, se houver um ponto no solo onde esta água se infiltre, este ficará saturado podendo desencadear os citados deslizamentos de barrancos.
Obviamente que vimos, nessa tragédia que se abateu sobre Friburgo, situações naturais de enchurradas e deslizamentos de talude, mas também vimos, e em muito mais porcentagem, casos ocorridos por falta de rede de drenagem de águas pluviais, em ambientes urbanizados.
Vejamos o caso das construções no alto do teleférico, no Hotel Torre de Itália:
Utilizando o Google, eu estimei de área impermeável (lajes, acimentados, telhados, vias de acesso, etc...), por baixo, aproximadamente 3.500m² de área. Então, se na madrugada do dia 12 choveu 250mm, a gente pode estimar que nessa madrugada foram acumulados 875 mil litros de água (250 x 3.500) que devem ter descido por algum local, e que se este local não estiver conduzindo bem essas águas, certamente haverá problemas de escoamento superficial ou deslizamento de encosta. Vejam, estou supondo e não afirmando.
Quanto ao barranco que desceu na subida do teleférico, que caiu sobre a Cultura Inglesa, no ano de 2007 e que se repetiu agora, fechando a FONF, nada mais é do que uma "boca de lobo" que recolhe a água da chuva e despeja justamente no talude instabilizado. E pasmem: ninguém se dispõe a tapar essa "boca de lobo".
Então é muito importante que as habitações com telhados ou lajes, as ruas, as estradas, as áreas cimentadas, asfaltadas, etc.. tenham redes de captação e destino de águas pluviais muito bem conduzidas no sentido de se evitar tais tragédias.
Assim, sugiro que cada cidadão deva verificar em sua propriedade como as águas das chuvas de seus telhados, quintais, lajes, ruas, etc... estão escoando e promover a devida canalização e destino final. Por sua vez o poder público municipal deve administrar par-e-passo essa questão fiscalizando e promovendo as devidas adequações.
Agindo assim estaremos dando um passo bem significativo na prevenção de acidentes relacionados às chuvas, em nosso município.
Espero estar contribuindo.
| Mauro Zurita Fernandes | Geógrafo | IBAMA Nova Friburgo/RJ |
| Texto repassado para a lista FEBRAGEO-Brasil |
Vamos tentar ser bem diretos e simples em nossas contribuições.
As chuvas naturalmente são bem distribuídas nas superfícies em que se precipitam.
Quando essas chuvas caem sobre áreas florestadas há o amortecimento das gostas evitando a desagregação do solo pela força do seu impacto e, assim, a penetração da água no solo se dá de forma tênue e contínua, situação que permite melhor absorção evitando os escoamentos superficiais bem como a saturação das camadas inferiores e, também, os deslizamentos.
É interessante ter bem claro que a erosão dos solos é um processo natural, mas que as ações humanas podem acelerar esse processo.
Especialistas estimam que numa área coberta por vegetação nativa, há uma perda anual de aproximadamente 4 Kg de solo por ha. Já em uma área de pastagem (capim braquiária, por exemplo) essa perda aumenta para 700 Kg por ha. Já numa área com plantação de café, por exemplo, a perda chega a 1.100 kg por ha ao ano.
Entretanto as áreas urbanizadas, onde não há a perfeita rede de drenagem das águas pluviais, (telhados, lajes, acimentados, calçadas, asfaltos, etc...) acumulam essas águas e as despejam concentradas em pequenas áreas de solo, causando processos erosivos com maior intensidade.
Uma chuva forte, normal em tardes de verão, pode atingir em torno de 60mm durante uma hora. Isso significa dizer que pode chover 60 litros de água em um metro quadrado, em uma hora.
Agora imagine se esses mesmos 60mm de chuva caem sobre uma pequena casa (uma meia-água por exemplo) num telhado de 50m², que tem uma calha que concentra a água num determinado ponto do terreno...
Assim, 60 x 50 = 3.000mm ou seja, 3.000 litros de água de chuva que caem no telhado e que são despejados num determinado ponto de um terreno no período de uma hora.
Obviamente que, dando as devidas proporções numa área de ocupação com várias residências, essa quantidade de água sobre um pequeno espaço de solo não será absorvida, gerando assim os escoamentos superficiais e, consequentemente, processos erosivos, arrastando vegetação, pedras, terra, etc... E, além dos escoamentos superficiais, se houver um ponto no solo onde esta água se infiltre, este ficará saturado podendo desencadear os citados deslizamentos de barrancos.
Obviamente que vimos, nessa tragédia que se abateu sobre Friburgo, situações naturais de enchurradas e deslizamentos de talude, mas também vimos, e em muito mais porcentagem, casos ocorridos por falta de rede de drenagem de águas pluviais, em ambientes urbanizados.
Vejamos o caso das construções no alto do teleférico, no Hotel Torre de Itália:
Utilizando o Google, eu estimei de área impermeável (lajes, acimentados, telhados, vias de acesso, etc...), por baixo, aproximadamente 3.500m² de área. Então, se na madrugada do dia 12 choveu 250mm, a gente pode estimar que nessa madrugada foram acumulados 875 mil litros de água (250 x 3.500) que devem ter descido por algum local, e que se este local não estiver conduzindo bem essas águas, certamente haverá problemas de escoamento superficial ou deslizamento de encosta. Vejam, estou supondo e não afirmando.
Quanto ao barranco que desceu na subida do teleférico, que caiu sobre a Cultura Inglesa, no ano de 2007 e que se repetiu agora, fechando a FONF, nada mais é do que uma "boca de lobo" que recolhe a água da chuva e despeja justamente no talude instabilizado. E pasmem: ninguém se dispõe a tapar essa "boca de lobo".
Então é muito importante que as habitações com telhados ou lajes, as ruas, as estradas, as áreas cimentadas, asfaltadas, etc.. tenham redes de captação e destino de águas pluviais muito bem conduzidas no sentido de se evitar tais tragédias.
Assim, sugiro que cada cidadão deva verificar em sua propriedade como as águas das chuvas de seus telhados, quintais, lajes, ruas, etc... estão escoando e promover a devida canalização e destino final. Por sua vez o poder público municipal deve administrar par-e-passo essa questão fiscalizando e promovendo as devidas adequações.
Agindo assim estaremos dando um passo bem significativo na prevenção de acidentes relacionados às chuvas, em nosso município.
Espero estar contribuindo.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Tragédia repetida
| Luiz F. Vaz | O Estado de S.Paulo | 24/01/2011 |
(GEÓLOGO, É PROFESSOR CONVIDADO DO INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS DA UNICAMP)
A tragédia que se abateu sobre a Região Serrana do Rio de Janeiro foi violenta e destruidora, mas não é um caso isolado ou fortuito. Em março de 1967 fenômeno semelhante aconteceu próximo a Caraguatatuba, ceifando 120 vidas e deixando a água do mar suja até hoje. Pouco antes, em janeiro, fora a vez da Serra das Araras, ao longo da Via Dutra, e, apesar de ter ocorrido sobre áreas predominantemente rurais, levou 1.200 vidas.
Esses dois eventos destruidores ocuparam uma área elíptica, com cerca de 30 km de extensão máxima. Se tivessem como centro a Via Anchieta, teriam interrompido todas as ligações São Paulo-Santos, incluindo as linhas de transmissão, dutos e cabos. Felizmente, não houve outros de tal magnitude, mas desastres similares atingiram a região de Cubatão em 1985 e 1994. Em 2000, uma única corrida de lama manteve uma pista da Anchieta fechada por mais de 50 dias. Casos de proporções semelhantes ocorreram na região de Blumenau-Itajaí em 2008, na de Angra dos Reis em 2009 e, anteriormente, em Petrópolis, Rio de Janeiro e vários outros locais. Essa pequena lista mostra que os deslizamentos são fenômenos recorrentes, variando apenas a sua gravidade.
O mecanismo desses deslizamentos segue o mesmo padrão: alguns meses consecutivos de chuvas contínuas, não necessariamente fortes, seguidos por um período concentrado de precipitações muito fortes; os vazios da camada de solo ficam saturados pelas chuvas contínuas, reduzindo a resistência do solo; como a água da chuva forte não tem como se infiltrar, escorre pela superfície, transformando o solo em lama e carregando árvores e blocos de rocha. Esse processo é conhecido como corrida de lama, pela alta velocidade do deslizamento, que pode chegar a algumas dezenas de quilômetros por hora.
Estudos desenvolvidos pelos geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) há mais de 20 anos, e mais recentemente pelo Instituto Geológico, ambos do governo paulista, conseguem identificar o volume de chuva acumulado que propicia a deflagração de escorregamentos, determinam as áreas de risco e elaboram sistemas de alerta. Trabalho semelhante desenvolvido pela prefeitura de Santos, ao tempo em que uma geóloga ocupava uma das secretarias da cidade [nota deste blogueiro: minha amiga Cassandra Maroni Nunes, vereadora em Santos pelo PT], permitiu que tanto em Cubatão como em Santos eventos desse tipo fossem antecipados e medidas de prevenção, adotadas.
A falta de instrumentos legais, porém, dificulta a prevenção. Não há lei que obrigue o morador a desocupar seu imóvel, exceto em caso de risco iminente. Ora, definir risco iminente é difícil quando se lida com fenômenos naturais e, na prática, ninguém pode ser removido das chamadas áreas de risco sem o seu consentimento. Uma ação do Ministério Público, quando cabível, demanda de 10 a 20 anos para ser concluída. Nos casos de Cubatão e Santos, um trabalho de conscientização e treinamento da população e a utilização de monitores da própria comunidade permitiu a adoção de medidas de prevenção.
Apesar das lições anteriores, tanto de deslizamentos funestos como de iniciativas bem-sucedidas, nunca foi formulada nenhuma política ou diretriz sobre o assunto. Mesmo com a grande maioria dos processos de deslizamento diretamente associados às condições geológicas, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão federal encarregado de estudos geológicos e hidrológicos, nunca recebeu a missão (nem verbas) de desenvolver trabalhos de prevenção, exceto em alguns casos localizados.
Os serviços de defesa civil tampouco estão preparados para atender a situações de calamidade. Sua organização é predominantemente transitória, contam com recursos reduzidos e, principalmente, não dispõem de base legal para atuar e assumir o comando em caso de desastres naturais. O despreparo é geral, basta constatar que, na serra fluminense, o socorro só chegou vários dias depois e ainda hoje depende da ação de voluntários. Em pleno caos, o governo, numa medida demagógica, prometeu a liberação do FGTS. Dinheiro é sempre bem-vindo. Mas as pessoas ilhadas nas comunidades serranas do Rio precisavam de água, comida, energia, acesso, comunicação, limpeza e, depois, de dinheiro.
Após os violentos desastres naturais e também os induzidos pelo homem nos últimos anos, principalmente o vazamento de petróleo no Golfo do México, nota-se uma tendência a substituir a política estratégica de longo prazo das grandes potências, voltada para os conflitos armados entre nações e grupos, por políticas de prevenção contra os efeitos das mudanças climáticas. Depois que fomos assolados, na última década, por uma série de terremotos violentos, tsunamis destruidores e enchentes formidáveis, as atividades de defesa civil estão sendo consideradas o foco da ação dos governos nas próximas décadas.
Até hoje não há evidências suficientes para afirmar que a ação antrópica seja responsável pelo aumento da temperatura. A Terra sofre mudanças climáticas alternando períodos frios e quentes. Há cerca de 120 mil anos houve um período de frio intenso, com o gelo avançando até os trópicos, resultando num abaixamento do nível do mar da ordem de cem metros. Esse período, que durou alguns milhares de anos, extinguiu muitas espécies e, aparentemente, teria sido responsável por eliminar a maioria dos nossos ancestrais, reduzidos a um grupo muito pequeno, conforme indicam as variações do DNA.
Seja devido à nossa voracidade por energia ou aos caprichos da Terra, o fato insofismável é que nosso planeta está aquecendo. Esse processo levará à elevação do nível dos oceanos e, além das ameaças às cidades e aos países à beira-mar, terá influência sobre o clima. Enfrentar as mudanças climáticas radicais e sobreviver a elas está se tornando a principal preocupação dos planejadores, de tal sorte que este século será, provavelmente, considerado o século da defesa civil.
Vamos fazer a nossa parte, começando pela legislação e pela organização da área de prevenção de desastres naturais!
(Enviado para s lista da Febrageo pelo autor.)
(GEÓLOGO, É PROFESSOR CONVIDADO DO INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS DA UNICAMP)
A tragédia que se abateu sobre a Região Serrana do Rio de Janeiro foi violenta e destruidora, mas não é um caso isolado ou fortuito. Em março de 1967 fenômeno semelhante aconteceu próximo a Caraguatatuba, ceifando 120 vidas e deixando a água do mar suja até hoje. Pouco antes, em janeiro, fora a vez da Serra das Araras, ao longo da Via Dutra, e, apesar de ter ocorrido sobre áreas predominantemente rurais, levou 1.200 vidas.
Esses dois eventos destruidores ocuparam uma área elíptica, com cerca de 30 km de extensão máxima. Se tivessem como centro a Via Anchieta, teriam interrompido todas as ligações São Paulo-Santos, incluindo as linhas de transmissão, dutos e cabos. Felizmente, não houve outros de tal magnitude, mas desastres similares atingiram a região de Cubatão em 1985 e 1994. Em 2000, uma única corrida de lama manteve uma pista da Anchieta fechada por mais de 50 dias. Casos de proporções semelhantes ocorreram na região de Blumenau-Itajaí em 2008, na de Angra dos Reis em 2009 e, anteriormente, em Petrópolis, Rio de Janeiro e vários outros locais. Essa pequena lista mostra que os deslizamentos são fenômenos recorrentes, variando apenas a sua gravidade.
O mecanismo desses deslizamentos segue o mesmo padrão: alguns meses consecutivos de chuvas contínuas, não necessariamente fortes, seguidos por um período concentrado de precipitações muito fortes; os vazios da camada de solo ficam saturados pelas chuvas contínuas, reduzindo a resistência do solo; como a água da chuva forte não tem como se infiltrar, escorre pela superfície, transformando o solo em lama e carregando árvores e blocos de rocha. Esse processo é conhecido como corrida de lama, pela alta velocidade do deslizamento, que pode chegar a algumas dezenas de quilômetros por hora.
Estudos desenvolvidos pelos geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) há mais de 20 anos, e mais recentemente pelo Instituto Geológico, ambos do governo paulista, conseguem identificar o volume de chuva acumulado que propicia a deflagração de escorregamentos, determinam as áreas de risco e elaboram sistemas de alerta. Trabalho semelhante desenvolvido pela prefeitura de Santos, ao tempo em que uma geóloga ocupava uma das secretarias da cidade [nota deste blogueiro: minha amiga Cassandra Maroni Nunes, vereadora em Santos pelo PT], permitiu que tanto em Cubatão como em Santos eventos desse tipo fossem antecipados e medidas de prevenção, adotadas.
A falta de instrumentos legais, porém, dificulta a prevenção. Não há lei que obrigue o morador a desocupar seu imóvel, exceto em caso de risco iminente. Ora, definir risco iminente é difícil quando se lida com fenômenos naturais e, na prática, ninguém pode ser removido das chamadas áreas de risco sem o seu consentimento. Uma ação do Ministério Público, quando cabível, demanda de 10 a 20 anos para ser concluída. Nos casos de Cubatão e Santos, um trabalho de conscientização e treinamento da população e a utilização de monitores da própria comunidade permitiu a adoção de medidas de prevenção.
Apesar das lições anteriores, tanto de deslizamentos funestos como de iniciativas bem-sucedidas, nunca foi formulada nenhuma política ou diretriz sobre o assunto. Mesmo com a grande maioria dos processos de deslizamento diretamente associados às condições geológicas, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão federal encarregado de estudos geológicos e hidrológicos, nunca recebeu a missão (nem verbas) de desenvolver trabalhos de prevenção, exceto em alguns casos localizados.
Os serviços de defesa civil tampouco estão preparados para atender a situações de calamidade. Sua organização é predominantemente transitória, contam com recursos reduzidos e, principalmente, não dispõem de base legal para atuar e assumir o comando em caso de desastres naturais. O despreparo é geral, basta constatar que, na serra fluminense, o socorro só chegou vários dias depois e ainda hoje depende da ação de voluntários. Em pleno caos, o governo, numa medida demagógica, prometeu a liberação do FGTS. Dinheiro é sempre bem-vindo. Mas as pessoas ilhadas nas comunidades serranas do Rio precisavam de água, comida, energia, acesso, comunicação, limpeza e, depois, de dinheiro.
Após os violentos desastres naturais e também os induzidos pelo homem nos últimos anos, principalmente o vazamento de petróleo no Golfo do México, nota-se uma tendência a substituir a política estratégica de longo prazo das grandes potências, voltada para os conflitos armados entre nações e grupos, por políticas de prevenção contra os efeitos das mudanças climáticas. Depois que fomos assolados, na última década, por uma série de terremotos violentos, tsunamis destruidores e enchentes formidáveis, as atividades de defesa civil estão sendo consideradas o foco da ação dos governos nas próximas décadas.
Até hoje não há evidências suficientes para afirmar que a ação antrópica seja responsável pelo aumento da temperatura. A Terra sofre mudanças climáticas alternando períodos frios e quentes. Há cerca de 120 mil anos houve um período de frio intenso, com o gelo avançando até os trópicos, resultando num abaixamento do nível do mar da ordem de cem metros. Esse período, que durou alguns milhares de anos, extinguiu muitas espécies e, aparentemente, teria sido responsável por eliminar a maioria dos nossos ancestrais, reduzidos a um grupo muito pequeno, conforme indicam as variações do DNA.
Seja devido à nossa voracidade por energia ou aos caprichos da Terra, o fato insofismável é que nosso planeta está aquecendo. Esse processo levará à elevação do nível dos oceanos e, além das ameaças às cidades e aos países à beira-mar, terá influência sobre o clima. Enfrentar as mudanças climáticas radicais e sobreviver a elas está se tornando a principal preocupação dos planejadores, de tal sorte que este século será, provavelmente, considerado o século da defesa civil.
Vamos fazer a nossa parte, começando pela legislação e pela organização da área de prevenção de desastres naturais!
(Enviado para s lista da Febrageo pelo autor.)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Pesquisa no Nordeste reconhecida internacionalmente
A revista Science Magazine de 2 de dezembro, publicou reportagem que começou e terminou por Macaíbas, no Rio Gande do Norte, onde fica o IINN - Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra -, mais conhecido como Centro do Cérebro, implantado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.
A reportagem destacou também, entre outras, as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia.
No entanto, a mídia brasileira, exceto o Correio Brasiliense, ignorou-a solenemente, enquanto cientistas que torcem pelo sucesso do Brasil a festejaram. A Science, ao lado da Nature, é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo. Pior fez a Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo —, que proibiu a sua agência de divulgar a proeza brasileira na Science. Acontece que a USP, Universidade de São Paulo, caiu 84 posições no ranking!
Veja mais no blog Viomundo:
USP cai 84 posições no ranking mundial
http://www.viomundo.com.br/denuncias/usp-escada-abaixo-cai-84-posicoes-no-ranking-mundial.html
A reportagem destacou também, entre outras, as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia.
No entanto, a mídia brasileira, exceto o Correio Brasiliense, ignorou-a solenemente, enquanto cientistas que torcem pelo sucesso do Brasil a festejaram. A Science, ao lado da Nature, é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo. Pior fez a Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo —, que proibiu a sua agência de divulgar a proeza brasileira na Science. Acontece que a USP, Universidade de São Paulo, caiu 84 posições no ranking!
Veja mais no blog Viomundo:
USP cai 84 posições no ranking mundial
http://www.viomundo.com.br/denuncias/usp-escada-abaixo-cai-84-posicoes-no-ranking-mundial.html
Pesquisa mostra que há três tipos de elefantes
Agência FAPESP – Um novo estudo realizado por pesquisadores norte-americanos e britânicos revelou que existem duas espécies de elefantes na África e não apenas uma, como se acreditava até agora.
Através da genética, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos), da Universidade de Illinois (Estados Unidos) e da Universidade de York (Reino Unido) mostraram que, na África, o elefante das savanas e o elefante das florestas mantiveram-se separados por vários milhões de anos, constituindo-se em espécies tão diversas quanto, por exemplo, homens e chipanzés.
Os resultados do estudo foram publicados na revista de acesso aberto PLoS Biology. Os cientistas compararam o DNA de elefantes modernos da África e da Ásia ao DNA extraído de duas espécies extintas: o mamute e o mastodonte.
"A partir de agora temos que tratar os elefantes da floresta e da savana, para fins de conservação, como duas unidades diferentes", disse Alfred Roca, professor do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Illinois.
"Desde 1950, todos os elefantes africanos têm sido conservados com uma só espécie. Agora que sabemos que os elefantes da savana e da floresta são dois animais muito diferentes, a prioridade para fins de conservação deveria ser dada ao elefante da floresta", disse.
Diferença paquidérmica
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13224/divulgacao-cientifica/diferenca-paquidermica.htm
Através da genética, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos), da Universidade de Illinois (Estados Unidos) e da Universidade de York (Reino Unido) mostraram que, na África, o elefante das savanas e o elefante das florestas mantiveram-se separados por vários milhões de anos, constituindo-se em espécies tão diversas quanto, por exemplo, homens e chipanzés.
Os resultados do estudo foram publicados na revista de acesso aberto PLoS Biology. Os cientistas compararam o DNA de elefantes modernos da África e da Ásia ao DNA extraído de duas espécies extintas: o mamute e o mastodonte.
"A partir de agora temos que tratar os elefantes da floresta e da savana, para fins de conservação, como duas unidades diferentes", disse Alfred Roca, professor do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Illinois.
"Desde 1950, todos os elefantes africanos têm sido conservados com uma só espécie. Agora que sabemos que os elefantes da savana e da floresta são dois animais muito diferentes, a prioridade para fins de conservação deveria ser dada ao elefante da floresta", disse.
Diferença paquidérmica
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13224/divulgacao-cientifica/diferenca-paquidermica.htm
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Obsoletos
O grande colega e amigo Luís Henrique do Amaral manda, direto da NASA, a prova cabal de que os geólogos estão em ritmo de extinção. A Febrageo precisa, urgentemente, entrar com um pedido de intervenção junto ao Ibama, antes que só restem de nós as evidências de nossas torpes existências nos museus do terceiro mundo.
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