segunda-feira, 4 de julho de 2011

O geólogo

O colega argentino Osvaldo L. Bordonaro dá um empolgado depoimento das contradições que cercam a nós, geólogos. Só compartilhando esse estranho gosto que temos em ver beleza nas pedras mais toscas e a elas dar nomes, ou em sentir liberdade ao entrar em uma caverna, para entender-nos, pessoas tão estranhas que somos.

El geólogo es un ser con distintas personalidades,
Porque en esta profesión se conjugan en una misma persona,
facetas que se antojan dificiles de compatibilizar:
El campo con la ciudad, la naturaleza con la sociedad,
El bullicio con la soledad y las rocas con la realidad.
El geólogo parece frío y calculador,
Aunque en el fondo es un bohemio soñador.
Lo encuentras en el avión comiendo los mejores manjares
y bebiendo el vino de ocasión
y algunas horas depues,
bebiendo agua del arrollo con tepocates
y unas galletas con sardina.
Mezcla de científico con aventurero.
Pragmático y viajero, preocupado y despreocupado.
Apasionado incurable, ermitaño irremediable.
El geólogo es naturalista por vocación,
Aunque disfruta del fútbol, un libro o la televisión.
Antisociable y gruñón, ironicamente le gusta la fiesta,
El vino y los amigos en reunión.
Extrovertido en su actitud,
pero prefiere el silencio y la quietud.
aparenta ser tosco, rudo y machista,
aunque tiene sensibilidad de artista.
Se emociona al hallar un fósil o un mineral,
Pero lo hace llorar la alegría de su hijo al verlo regresar,
lo mismo que al verlo marchar.
El geólogo lleva múltiples pasiones en sus intimidades,
Con ellas trata de nivelar sus angustias y necesidades,
las dolencias, las frustraciones y las voluntades.
con ellas medio soporta la soledad interminable,
o el cansado traqueteo de un mular
o agobiantes jornadas en solitario caminar.
la desazón de dejar la familia,
los amigos y el cómodo sillón.
Prescindir de las fechas, fiestas y cumpleaños
y nunca salir en fotos familiares o sociales
Para dedicarle al campo su energía y sus mejores años.
Ausentarse largos períodos por un salario variable o fijo,
Demasiado tiempo para no ver a sus hijos.
Y cuando está tranquilo en su casa con los que ama,
Siempre está pensando en volver.
El campo es su laboratorio, unas rocas le sirven de amigos,
La carpa o el trailer es su oficina, allí le pone el cuerpo al clima.
Sobrevive en el desierto, en la selva o en el hielo.
Duerme en un catre, en una lona o en el suelo,
Se aguanta el frío y la aridez, el viento y la tierra,
Le da lo mismo el calor, si llueve o si nieva.
El geólogo se desempeña en toda nuestra geografía.
En el frente de una cantera o en el fondo de una mina,
En un dique o en una montaña.
En Sonora o en el Popo, en el Aconcagua o en la Patagonia.
En la excavadora o junto a una máquina de perforar.
Y cuando está en el laboratorio o en la oficina,
añora el campo con su dosis de adrenalina.
Y cuando vuelve cansado o estresado,
Extraña el descanso bajo un cielo estrellado,
Con la mirada extasiada frente al arrolluelo cristalino o el fogón.
El geólogo es multifacético por necesidad,
Le hace a todo oficio ante la adversidad.
Escalador, montañista, mecánico, electricista,
carpintero, capataz, muestrero, fotógrafo, cantor, guitarrero.
matemático, dibujante, informático, naturista, poeta,
psicólogo, cocinero y curandero.
Muchos geólogos dieron la vida por esta arriesgada profesión:
Un desplome en la mina por una inesperada explosión,
Un barranco traicionero por escapar del aguacero,
Un vuelco en el camino por mirar una estrella.
Una descompensación en altura por trabajar con premura,
Un accidente caprichoso por un descuido azaroso.
Una grieta, un derrumbe o una nevada fueron su última morada.
Así es el geólogo, mi amigo, muchos personajes lleva consigo,
Y si tienes ganas, a brindar te obligo,
Por ese geólogo que siempre llevas contigo.

| Osvaldo L. Bordonaro | Geólogo | Diario Los Andes, martes, 15 de junio de 2010 |

http://www.losandes.com.ar/notas/2010/6/15/escribeellector-496214.asp

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mamãe devoniana


Um fóssil descoberto em 2009 um sítio fossilífero no sertão australiano trouxe novas informações para a Biologia da Reprodução. O pesquisador John A. Long e seus colegas publicaram um trabalho em que descrevem um peixe placodermo, grupo extinto que viveu durante o Devoniano (há 380 milhões de anos).

O fóssil foi encontrado em sedimentos da Formação Gogo, no noroeste australiano, tão bem preservado que é possível identificar as marcas de nervos e músculos e a presença de um pequeno peixe da mesma espécie dentro do seu ventre.

Essa observação levou à revisão de outros espécimes conservados em coleções de institutos de pesquisa e museus, confirmando em outros fósseis a presença desses embriões. Veio, também, confirmar a suspeita de paleontólogos que já haviam percebido a presença de clásperes, órgãos similares a pênis com a função de fecundação interna.

Anteriormente a esta descoberta, os fósseis mais antigos com indicação de prenhez eram de tubarões, 30 milhões de anos mais novos.

Aquatic Sex: Pregnant Fish Fossils Found
http://www.cbsnews.com/stories/2009/02/25/tech/main4829038.shtml


The oldest pregnant mum
http://www.nature.com/news/2008/080528/full/453575a.html

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tsunami do Japão - antes e depois

Uma boa noção do estrago causado pelo tsunami, ou maremoto, ocorrido no Japão, pode ser obtida nas fotos dav ABC News. Basta mover o mouse por sobre as fotos para ver o "depois" do fenômeno.

Japan Earthquake: before and after
http://www.abc.net.au/news/events/japan-quake-2011/beforeafter.htm


Mergulhador mostra a falha que separa América da Europa

Mergulhador no cânion entre as placas da América do Norte e Eurásia
A Islândia (Iceland, terra do gelo) é reconhecida como sendo a porção emersa da dorsal meso-atlântica, a cordilheira, na maior parte submarina, formada pela separação entre as placas de Oeste (América do Sul e do Norte) e Leste (África e Eurásia).

Um mergulhador fotógrafo e sua equipe mergulhou no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia, para mostrar os Cânions formados pela separação entre as placas. As fotos estão disponíveis em:

Mergulhador fotografa divisão entre placas tectônicas na Islândia
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/album/bbc/1105_mergulhador_album.jhtm

quarta-feira, 20 de abril de 2011

evolucao do ouvido

A partir de um fóssil do Cretáceo Inferior, surgem hipóteses de como o aparato auditivo dos mamíferos evoluiu.

Um fóssil de crânio de Liaoconodon, coletado na China, na Formação Jiufotang, mostra que os ossos do ouvido médio, nessa espécie, ainda eram conectados à mandíbula.

O ouvido médio de mamíferos se constitui de três ossos, martelo, estribo e bigorna, que conduzem até o ouvido interno as vibrações que chegam ao tímpano. Os paleontólogos perceberam que os ossos do ouvido médio ainda se encontram ligados à mandíbula - nos mamíferos atuais, eles se encontram separados.

O Liaoconodon é um mamífero pertencente a uma l inhagem extinta de mamíferos, os eutriconodontes. A excelente preservação deste exemplar permite, assim, avançar na compreensão de como se desenvolveu a nossa audição.

Mammalian evolution: A jaw-dropping ear
http://www.nature.com/nature/journal/v472/n7342/full/472174a.html

Patrimônio geológico dilapidado

O Folhelho Burgess (Burgess Shale) é um dos raros lugares no mundo que preservou fósseis do Cambriano, saindo dali importantes informações sobre com surgiram seres pluricelulares - na época, apenas invertebrados. Situado nas Montanhas Rochosas canadeneses, foi grande fonte de pesquisa para entender a evolução dos seres vivos - em última instância, de nós mesmos.

Foi a partir dos fósseis coletados em Burgess Shale que a Paleontologia definiu o que veio a se chamar a "Explosão Cambriana", o repentino (em termos geológicos) surgimento de uma grande biodiversidade, a mais antiga documentada. Trilobitas como o mostrado a seguir, habitavam os mares daquela época (foto de http://www.wagner.edu/news/node/1392).


Eram animais estranhos, muito diferentes, na maioria, do que encontramos hoje - ainda que algumas raras espécies possam ser vistas ainda hoje, como é o caso do Peripatus acacioi, existente apenas na região de Ouro Preto (MG) (foto copiada da Science Photo Library).


Uma reconstituição artística da biota cambriana dá uma ideia de como seriam aqueles bichos. O desenho abaixo é do site da banda alemã Burgess Shale. Já pensou? Tão significativo que virou nome de banda! (Deve ser de estudantes de Geologia).


Foi por isso que senti enorme pesar quando li, em um artigo sobre a proposta de formar um banco de dados sobre fósseis, que o Folhelho Burgess "é um local bem conhecido e foi pilhado até a morte", segundo Jonathan Antcliffe, paleobiólogo da britânica Universidade de Bristol.

Aqui, como na Argentina, coletar fósseis é ilegal. Nos Estados Unidos, só é ilegal nas terras públicas. No Canadá, como aqui, o patrimônio da humanidade continua sendo dilapidado por pessoas com interesse apenas no seu enriquecimento pessoal.

Fossil data enter the web period
http://www.nature.com/news/2011/110411/full/472150a.html

(Palaeontologists call for more sharing of raw information)

Usinas nucleares e terremotos

A imagem abaixo mostra a distribuição de usinas e demais instalações nucleares em todo o planeta, bem como a chance de ocorrência de terremotos. A cor indica, de baixo para cima, a maior sismicidade. Verifique que as usinas brasileiras se encontrma fora de qualquer risco de abalos sísmicos.


Leia o artigo Nuclear power stations and reactors operational around the world: listed and mapped:
http://www.guardian.co.uk/news/datablog/2011/mar/18/nuclear-reactors-power-stations-world-list-map

http://bit.ly/fnbYpI