A partir de um fóssil do Cretáceo Inferior, surgem hipóteses de como o aparato auditivo dos mamíferos evoluiu.
Um fóssil de crânio de Liaoconodon, coletado na China, na Formação Jiufotang, mostra que os ossos do ouvido médio, nessa espécie, ainda eram conectados à mandíbula.
O ouvido médio de mamíferos se constitui de três ossos, martelo, estribo e bigorna, que conduzem até o ouvido interno as vibrações que chegam ao tímpano. Os paleontólogos perceberam que os ossos do ouvido médio ainda se encontram ligados à mandíbula - nos mamíferos atuais, eles se encontram separados.
O Liaoconodon é um mamífero pertencente a uma l inhagem extinta de mamíferos, os eutriconodontes. A excelente preservação deste exemplar permite, assim, avançar na compreensão de como se desenvolveu a nossa audição.
Mammalian evolution: A jaw-dropping ear
http://www.nature.com/nature/journal/v472/n7342/full/472174a.html
"O sorriso que tenho nos lábios é um sorriso geológico - o sorriso de quem sabe, olha, vê e compreende."
Monteiro Lobato, pela boca do Visconde de Sabugosa, em O Poço do Visconde
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Patrimônio geológico dilapidado
O Folhelho Burgess (Burgess Shale) é um dos raros lugares no mundo que preservou fósseis do Cambriano, saindo dali importantes informações sobre com surgiram seres pluricelulares - na época, apenas invertebrados. Situado nas Montanhas Rochosas canadeneses, foi grande fonte de pesquisa para entender a evolução dos seres vivos - em última instância, de nós mesmos.
Foi a partir dos fósseis coletados em Burgess Shale que a Paleontologia definiu o que veio a se chamar a "Explosão Cambriana", o repentino (em termos geológicos) surgimento de uma grande biodiversidade, a mais antiga documentada. Trilobitas como o mostrado a seguir, habitavam os mares daquela época (foto de http://www.wagner.edu/news/node/1392).
Eram animais estranhos, muito diferentes, na maioria, do que encontramos hoje - ainda que algumas raras espécies possam ser vistas ainda hoje, como é o caso do Peripatus acacioi, existente apenas na região de Ouro Preto (MG) (foto copiada da Science Photo Library).
Uma reconstituição artística da biota cambriana dá uma ideia de como seriam aqueles bichos. O desenho abaixo é do site da banda alemã Burgess Shale. Já pensou? Tão significativo que virou nome de banda! (Deve ser de estudantes de Geologia).
Foi por isso que senti enorme pesar quando li, em um artigo sobre a proposta de formar um banco de dados sobre fósseis, que o Folhelho Burgess "é um local bem conhecido e foi pilhado até a morte", segundo Jonathan Antcliffe, paleobiólogo da britânica Universidade de Bristol.
Aqui, como na Argentina, coletar fósseis é ilegal. Nos Estados Unidos, só é ilegal nas terras públicas. No Canadá, como aqui, o patrimônio da humanidade continua sendo dilapidado por pessoas com interesse apenas no seu enriquecimento pessoal.
Fossil data enter the web period
http://www.nature.com/news/2011/110411/full/472150a.html
(Palaeontologists call for more sharing of raw information)
Foi a partir dos fósseis coletados em Burgess Shale que a Paleontologia definiu o que veio a se chamar a "Explosão Cambriana", o repentino (em termos geológicos) surgimento de uma grande biodiversidade, a mais antiga documentada. Trilobitas como o mostrado a seguir, habitavam os mares daquela época (foto de http://www.wagner.edu/news/node/1392).
Eram animais estranhos, muito diferentes, na maioria, do que encontramos hoje - ainda que algumas raras espécies possam ser vistas ainda hoje, como é o caso do Peripatus acacioi, existente apenas na região de Ouro Preto (MG) (foto copiada da Science Photo Library).
Uma reconstituição artística da biota cambriana dá uma ideia de como seriam aqueles bichos. O desenho abaixo é do site da banda alemã Burgess Shale. Já pensou? Tão significativo que virou nome de banda! (Deve ser de estudantes de Geologia).
Foi por isso que senti enorme pesar quando li, em um artigo sobre a proposta de formar um banco de dados sobre fósseis, que o Folhelho Burgess "é um local bem conhecido e foi pilhado até a morte", segundo Jonathan Antcliffe, paleobiólogo da britânica Universidade de Bristol.
Aqui, como na Argentina, coletar fósseis é ilegal. Nos Estados Unidos, só é ilegal nas terras públicas. No Canadá, como aqui, o patrimônio da humanidade continua sendo dilapidado por pessoas com interesse apenas no seu enriquecimento pessoal.
Fossil data enter the web period
http://www.nature.com/news/2011/110411/full/472150a.html
(Palaeontologists call for more sharing of raw information)
Usinas nucleares e terremotos
A imagem abaixo mostra a distribuição de usinas e demais instalações nucleares em todo o planeta, bem como a chance de ocorrência de terremotos. A cor indica, de baixo para cima, a maior sismicidade. Verifique que as usinas brasileiras se encontrma fora de qualquer risco de abalos sísmicos.
Leia o artigo Nuclear power stations and reactors operational around the world: listed and mapped:
http://www.guardian.co.uk/news/datablog/2011/mar/18/nuclear-reactors-power-stations-world-list-map
http://bit.ly/fnbYpI
Leia o artigo Nuclear power stations and reactors operational around the world: listed and mapped:
http://www.guardian.co.uk/news/datablog/2011/mar/18/nuclear-reactors-power-stations-world-list-map
http://bit.ly/fnbYpI
quinta-feira, 31 de março de 2011
Mais recente mapeamento do geoide
A forma da Terra, qual é?
Quem diz que a Terra é esférica errou. A forma de nosso planeta é um geoide.
E o que é um geoide? É a forma da Terra!
Geodésia é a ciência dedicada a definir o que é esse geoide. Agora, o satélite GOCE, a Agência Espacial Europeia, a ESA, acaba de remapear nosso planeta, apresentando com grande precisão o geoide.
Para ver mais, clique em:
Earth's gravity revealed in unprecedented detail
http://www.esa.int/esaCP/SEM1AK6UPLG_index_0.html
Quem diz que a Terra é esférica errou. A forma de nosso planeta é um geoide.
E o que é um geoide? É a forma da Terra!
Geodésia é a ciência dedicada a definir o que é esse geoide. Agora, o satélite GOCE, a Agência Espacial Europeia, a ESA, acaba de remapear nosso planeta, apresentando com grande precisão o geoide.
Para ver mais, clique em:
Earth's gravity revealed in unprecedented detail
http://www.esa.int/esaCP/SEM1AK6UPLG_index_0.html
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Deriva continental
A verdadeira causa da deriva continental
http://www.omelete.com.br/videos/era-do-gelo-4-scrats-continental-crack-/
http://www.omelete.com.br/videos/era-do-gelo-4-scrats-continental-crack-/
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Reservas ambientais em São Paulo
| 4/2/2011 | Agência FAPESP (e-mail) |
Agência FAPESP – Geraldo Alckmin, o governador paulista, anunciou em 1º de fevereiro a oficialização de quatro novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), localizadas nos municípios de Bertioga, Amparo e São José dos Campos.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo, que já dispunha de 4,7 milhões de hectares de áreas protegidas, ganhará mais 1,39 mil hectares.
As RPPNs constituem uma categoria de unidade de conservação, prevista na legislação federal, que possibilita que propriedades privadas sejam transformadas em áreas de proteção ambiental.
Duas das quatro novas reservas estão localizadas no município de Bertioga: a Costa Blanca, da Barma Empreendimentos e Participações, com 296,93 hectares, e a Hércules Florence 1 e 2, da Companhia Fazenda Acaraú, com 709,57 hectares.
Já a RPPN Fazenda Boa Esperança, em Amparo, com 31,30 hectares, está sendo criada pela Aracaju Participações. Por sua vez, a reserva "O primata", em São José dos Campos, que está sendo criada por Walter Cerigatto Costa, será a maior reserva particular mantida por uma pessoa física em São Paulo.
O programa RPPN Paulistas, criado em 2006, já promoveu a criação de 17 novas reservas, totalizando 12.889,07 hectares de áreas particulares protegidas.
Anteriormente, entre 1992 a 2006, quando a criação de RPPNS era feita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o estado contava com 38 reservas, com área total de 3.859,83 hectares.
Com a criação das quatro novas áreas, São Paulo passa a contar com 59 RPPNs, com 18.130,63 hectares. As RPPNs são reconhecidas por meio de uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente.
“É importante o reconhecimento do governo dessas reservas privadas, que devem fazer parte do sistema estadual de áreas protegidas. Com essa parceria, queremos produzir um atlas com características dessas reservas. Isso é importante para a preservação da biodiversidade do estado de São Paulo”, disse Cláudio Maretti, superintendente de conservação da WWW-Brasil, que anunciou uma parceria entre a ONG e o Instituto Florestal durante o evento.
Mais informações:
www.ambiente.sp.gov.br/verNoticia.php?id=1095
Mais áreas protegidas
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13408/noticias/mais-areas-protegidas.htm
Tira-duvidas sobre RPPNs:
http://www.oeco.com.br/maria-tereza-jorge-padua/16303-oeco_23715
Decreto 1922/1996:
http://www.unisc.br/rppn/decreto_1922_1996.pdf
http://www.viaecologica.com/htms/leis/rppn.php
Agência FAPESP – Geraldo Alckmin, o governador paulista, anunciou em 1º de fevereiro a oficialização de quatro novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), localizadas nos municípios de Bertioga, Amparo e São José dos Campos.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, São Paulo, que já dispunha de 4,7 milhões de hectares de áreas protegidas, ganhará mais 1,39 mil hectares.
As RPPNs constituem uma categoria de unidade de conservação, prevista na legislação federal, que possibilita que propriedades privadas sejam transformadas em áreas de proteção ambiental.
Duas das quatro novas reservas estão localizadas no município de Bertioga: a Costa Blanca, da Barma Empreendimentos e Participações, com 296,93 hectares, e a Hércules Florence 1 e 2, da Companhia Fazenda Acaraú, com 709,57 hectares.
Já a RPPN Fazenda Boa Esperança, em Amparo, com 31,30 hectares, está sendo criada pela Aracaju Participações. Por sua vez, a reserva "O primata", em São José dos Campos, que está sendo criada por Walter Cerigatto Costa, será a maior reserva particular mantida por uma pessoa física em São Paulo.
O programa RPPN Paulistas, criado em 2006, já promoveu a criação de 17 novas reservas, totalizando 12.889,07 hectares de áreas particulares protegidas.
Anteriormente, entre 1992 a 2006, quando a criação de RPPNS era feita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o estado contava com 38 reservas, com área total de 3.859,83 hectares.
Com a criação das quatro novas áreas, São Paulo passa a contar com 59 RPPNs, com 18.130,63 hectares. As RPPNs são reconhecidas por meio de uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente.
“É importante o reconhecimento do governo dessas reservas privadas, que devem fazer parte do sistema estadual de áreas protegidas. Com essa parceria, queremos produzir um atlas com características dessas reservas. Isso é importante para a preservação da biodiversidade do estado de São Paulo”, disse Cláudio Maretti, superintendente de conservação da WWW-Brasil, que anunciou uma parceria entre a ONG e o Instituto Florestal durante o evento.
Mais informações:
www.ambiente.sp.gov.br/verNoticia.php?id=1095
Mais áreas protegidas
http://www.agencia.fapesp.br/materia/13408/noticias/mais-areas-protegidas.htm
Tira-duvidas sobre RPPNs:
http://www.oeco.com.br/maria-tereza-jorge-padua/16303-oeco_23715
Decreto 1922/1996:
http://www.unisc.br/rppn/decreto_1922_1996.pdf
http://www.viaecologica.com/htms/leis/rppn.php
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Redes de captação de águas pluviais. O grande vilão dos desastres de Nova Friburgo.
REDES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS PLUVIAIS. O GRANDE VILÃO DOS DESASTRES DE NOVA FRIBURGO.
| Mauro Zurita Fernandes | Geógrafo | IBAMA Nova Friburgo/RJ |
| Texto repassado para a lista FEBRAGEO-Brasil |
Vamos tentar ser bem diretos e simples em nossas contribuições.
As chuvas naturalmente são bem distribuídas nas superfícies em que se precipitam.
Quando essas chuvas caem sobre áreas florestadas há o amortecimento das gostas evitando a desagregação do solo pela força do seu impacto e, assim, a penetração da água no solo se dá de forma tênue e contínua, situação que permite melhor absorção evitando os escoamentos superficiais bem como a saturação das camadas inferiores e, também, os deslizamentos.
É interessante ter bem claro que a erosão dos solos é um processo natural, mas que as ações humanas podem acelerar esse processo.
Especialistas estimam que numa área coberta por vegetação nativa, há uma perda anual de aproximadamente 4 Kg de solo por ha. Já em uma área de pastagem (capim braquiária, por exemplo) essa perda aumenta para 700 Kg por ha. Já numa área com plantação de café, por exemplo, a perda chega a 1.100 kg por ha ao ano.
Entretanto as áreas urbanizadas, onde não há a perfeita rede de drenagem das águas pluviais, (telhados, lajes, acimentados, calçadas, asfaltos, etc...) acumulam essas águas e as despejam concentradas em pequenas áreas de solo, causando processos erosivos com maior intensidade.
Uma chuva forte, normal em tardes de verão, pode atingir em torno de 60mm durante uma hora. Isso significa dizer que pode chover 60 litros de água em um metro quadrado, em uma hora.
Agora imagine se esses mesmos 60mm de chuva caem sobre uma pequena casa (uma meia-água por exemplo) num telhado de 50m², que tem uma calha que concentra a água num determinado ponto do terreno...
Assim, 60 x 50 = 3.000mm ou seja, 3.000 litros de água de chuva que caem no telhado e que são despejados num determinado ponto de um terreno no período de uma hora.
Obviamente que, dando as devidas proporções numa área de ocupação com várias residências, essa quantidade de água sobre um pequeno espaço de solo não será absorvida, gerando assim os escoamentos superficiais e, consequentemente, processos erosivos, arrastando vegetação, pedras, terra, etc... E, além dos escoamentos superficiais, se houver um ponto no solo onde esta água se infiltre, este ficará saturado podendo desencadear os citados deslizamentos de barrancos.
Obviamente que vimos, nessa tragédia que se abateu sobre Friburgo, situações naturais de enchurradas e deslizamentos de talude, mas também vimos, e em muito mais porcentagem, casos ocorridos por falta de rede de drenagem de águas pluviais, em ambientes urbanizados.
Vejamos o caso das construções no alto do teleférico, no Hotel Torre de Itália:
Utilizando o Google, eu estimei de área impermeável (lajes, acimentados, telhados, vias de acesso, etc...), por baixo, aproximadamente 3.500m² de área. Então, se na madrugada do dia 12 choveu 250mm, a gente pode estimar que nessa madrugada foram acumulados 875 mil litros de água (250 x 3.500) que devem ter descido por algum local, e que se este local não estiver conduzindo bem essas águas, certamente haverá problemas de escoamento superficial ou deslizamento de encosta. Vejam, estou supondo e não afirmando.
Quanto ao barranco que desceu na subida do teleférico, que caiu sobre a Cultura Inglesa, no ano de 2007 e que se repetiu agora, fechando a FONF, nada mais é do que uma "boca de lobo" que recolhe a água da chuva e despeja justamente no talude instabilizado. E pasmem: ninguém se dispõe a tapar essa "boca de lobo".
Então é muito importante que as habitações com telhados ou lajes, as ruas, as estradas, as áreas cimentadas, asfaltadas, etc.. tenham redes de captação e destino de águas pluviais muito bem conduzidas no sentido de se evitar tais tragédias.
Assim, sugiro que cada cidadão deva verificar em sua propriedade como as águas das chuvas de seus telhados, quintais, lajes, ruas, etc... estão escoando e promover a devida canalização e destino final. Por sua vez o poder público municipal deve administrar par-e-passo essa questão fiscalizando e promovendo as devidas adequações.
Agindo assim estaremos dando um passo bem significativo na prevenção de acidentes relacionados às chuvas, em nosso município.
Espero estar contribuindo.
| Mauro Zurita Fernandes | Geógrafo | IBAMA Nova Friburgo/RJ |
| Texto repassado para a lista FEBRAGEO-Brasil |
Vamos tentar ser bem diretos e simples em nossas contribuições.
As chuvas naturalmente são bem distribuídas nas superfícies em que se precipitam.
Quando essas chuvas caem sobre áreas florestadas há o amortecimento das gostas evitando a desagregação do solo pela força do seu impacto e, assim, a penetração da água no solo se dá de forma tênue e contínua, situação que permite melhor absorção evitando os escoamentos superficiais bem como a saturação das camadas inferiores e, também, os deslizamentos.
É interessante ter bem claro que a erosão dos solos é um processo natural, mas que as ações humanas podem acelerar esse processo.
Especialistas estimam que numa área coberta por vegetação nativa, há uma perda anual de aproximadamente 4 Kg de solo por ha. Já em uma área de pastagem (capim braquiária, por exemplo) essa perda aumenta para 700 Kg por ha. Já numa área com plantação de café, por exemplo, a perda chega a 1.100 kg por ha ao ano.
Entretanto as áreas urbanizadas, onde não há a perfeita rede de drenagem das águas pluviais, (telhados, lajes, acimentados, calçadas, asfaltos, etc...) acumulam essas águas e as despejam concentradas em pequenas áreas de solo, causando processos erosivos com maior intensidade.
Uma chuva forte, normal em tardes de verão, pode atingir em torno de 60mm durante uma hora. Isso significa dizer que pode chover 60 litros de água em um metro quadrado, em uma hora.
Agora imagine se esses mesmos 60mm de chuva caem sobre uma pequena casa (uma meia-água por exemplo) num telhado de 50m², que tem uma calha que concentra a água num determinado ponto do terreno...
Assim, 60 x 50 = 3.000mm ou seja, 3.000 litros de água de chuva que caem no telhado e que são despejados num determinado ponto de um terreno no período de uma hora.
Obviamente que, dando as devidas proporções numa área de ocupação com várias residências, essa quantidade de água sobre um pequeno espaço de solo não será absorvida, gerando assim os escoamentos superficiais e, consequentemente, processos erosivos, arrastando vegetação, pedras, terra, etc... E, além dos escoamentos superficiais, se houver um ponto no solo onde esta água se infiltre, este ficará saturado podendo desencadear os citados deslizamentos de barrancos.
Obviamente que vimos, nessa tragédia que se abateu sobre Friburgo, situações naturais de enchurradas e deslizamentos de talude, mas também vimos, e em muito mais porcentagem, casos ocorridos por falta de rede de drenagem de águas pluviais, em ambientes urbanizados.
Vejamos o caso das construções no alto do teleférico, no Hotel Torre de Itália:
Utilizando o Google, eu estimei de área impermeável (lajes, acimentados, telhados, vias de acesso, etc...), por baixo, aproximadamente 3.500m² de área. Então, se na madrugada do dia 12 choveu 250mm, a gente pode estimar que nessa madrugada foram acumulados 875 mil litros de água (250 x 3.500) que devem ter descido por algum local, e que se este local não estiver conduzindo bem essas águas, certamente haverá problemas de escoamento superficial ou deslizamento de encosta. Vejam, estou supondo e não afirmando.
Quanto ao barranco que desceu na subida do teleférico, que caiu sobre a Cultura Inglesa, no ano de 2007 e que se repetiu agora, fechando a FONF, nada mais é do que uma "boca de lobo" que recolhe a água da chuva e despeja justamente no talude instabilizado. E pasmem: ninguém se dispõe a tapar essa "boca de lobo".
Então é muito importante que as habitações com telhados ou lajes, as ruas, as estradas, as áreas cimentadas, asfaltadas, etc.. tenham redes de captação e destino de águas pluviais muito bem conduzidas no sentido de se evitar tais tragédias.
Assim, sugiro que cada cidadão deva verificar em sua propriedade como as águas das chuvas de seus telhados, quintais, lajes, ruas, etc... estão escoando e promover a devida canalização e destino final. Por sua vez o poder público municipal deve administrar par-e-passo essa questão fiscalizando e promovendo as devidas adequações.
Agindo assim estaremos dando um passo bem significativo na prevenção de acidentes relacionados às chuvas, em nosso município.
Espero estar contribuindo.
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